quarta-feira, 21 de março de 2018

Anorexia e Bulimia – Silenciosa espiral (quase) destruidora


O tema dos distúrbios alimentares ainda é um tema complexo para muita gente porém senti que ao escrever sobre ele poderia contribuir para que algum de vós que já tenha vivido um distúrbio alimentar ou esteja a trabalhar na sua superação, ou que conheça alguém a passar pelo processo possa sentir-se mais apoiado e saber que não está sozinho/a. Sair deste círculo vicioso não é fácil - implica saber pedir ajuda, ter o apoio de uma equipa multidisciplinar (medicina tradicional e/ou complementar), e otimizar a força de vontade para lidar com as recaídas – mas é possível!
Vou contar-vos a história de Joana.
Joana passou pelo divórcio dos seus pais quando tinha 12 anos o que na altura até lhe pareceu ser positivo na medida em que a tensão em que viviam a incomodava mais do que a ausência posterior do seu pai na casa onde tinha ficado a viver com a mãe e irmã. Aos 15 anos foi-lhe diagnosticada Anorexia Nervosa após ter chegado aos 46 kg e continuar a achar que estava gorda.
Joana recorda-se de estar no 9º ano de escolaridade e sentir uma tendência brutal para se isolar, para se refugiar no estudo e achar que a turma daquele ano letivo não gostava dela.
Recorda-se de ter tido grande dificuldade para se relacionar com as pessoas da sua idade durante aquele período da sua vida. Nas refeições em família Joana aproveitava as idas da sua mãe à cozinha, para colocar no guardanapo a comida que tinha no prato e em seguida ia deita-la na sanita. Fazia de tudo para não aumentar nem 1 grama de peso! A obsessão pela contagem de calorias era superior a si e estava determinada em controlar rigorosamente a ingestão de qualquer caloria que ultrapassasse o limite diário definido por si.
Nessa altura a família ficou desesperada, em particular a sua mãe. Joana recorda-se de ter tido uma infeção bacteriana resultante de uma profunda baixa de defesas do sistema imunitário e que se manifestou por bolhas em toda a pele fazendo-a parecer-se com um bicho. O seu cabelo estava sem brilho, tinha umas olheiras até aos pés, e da menstruação nem sinal! A sua mãe já em desespero resolveu tirar uma fotografia às costas de Joana num momento em que esta se encontrava a tomar banho. O seu objetivo era mostrar-lhe aquilo em que o seu corpo cadavérico se estava a transformar, na expetativa de que a sua filha tivesse uma verdadeira tomada de consciência. Não resultou pois a distorção da sua imagem corporal era tão grande que Joana continuava a ver-se gorda. Um dia levantou-se da cama e pelo estado desnutrido em que se encontrava desmaiou e fraturou o nariz. Nessa altura ficou em casa a recuperar não indo à escola durante algum tempo. Qual não foi o seu espanto quando os seus colegas de turma e uma professora lhe foram fazer uma visita levando flores e chocolates. A “sua” anorexia terminara ali. A consciência do mal que se infligia e o carinho e atenção recebido pelos colegas foram a fórmula perfeita para decidir que não queria mais aquilo para si.
Manteve-se sem perturbações alimentares durante alguns anos porém, após duas grandes perdas na sua vida, aos 25 anos regressou aos distúrbios alimentares, desta vez sob a forma de bulimia. Joana tinha episódios de ir à pastelaria comprar bolos de propósito e de os devorar em minutos, em seguida era acometida por um sentimento de culpa imenso e voava para o WC para provocar o vómito de tudo o que tinha ingerido.

Este hábito de comer compulsivamente e em seguida vomitar levava a que tivesse muitas vezes as glândulas salivares inchadas, retenção de líquidos, arritmias e tensão baixa. Embora tenha uma relação delicada com a comida, Joana decidiu superar estes distúrbios e hoje faz vigilância cerrada à sua mente comprometendo-se a evitar qualquer gatilho que despolete comportamentos autodestrutivos.
Esta história é apenas uma de muitas que existem e se mantêm no silêncio pois quem sofre de anorexia, bulimia ou de outros distúrbios alimentares esconde muitas vezes o seu comportamento por ser acometido de sentimentos de culpa.
O que são então os distúrbios alimentares?
 Os distúrbios alimentares como a Anorexia Nervosa e a Bulimia Nervosa caracterizam-se por ser perturbações no comportamento alimentar. São doenças psicológicas e embora existam outras vou-me circunscrever a estas duas perturbações.
Ambas têm em comum a preocupação excessiva com o peso e com a busca de um ideal de corpo perfeito mas enquanto a primeira se caracteriza por uma perda de peso intensa resultante da intenção de não comer e de uma distorção da imagem do corpo, a segunda corresponde a uma ingestão excessiva de alimentos num curto espaço de tempo e de forma compulsiva seguida por vómitos autoinduzidos ou uso de medicamentos para manter o peso controlado (Cordás, 2004)[1].
Estas não são doenças da moda, são doenças silenciosas e que efetivamente afetam a vida de muitos jovens e adultos, em especial das mulheres, e por consequência das suas famílias. Digo silenciosas pois muitas vezes a família e amigos nem imaginam o que se passa, desconhecendo a razão pela qual o/a doente evita refeições em grupo, porque corre para o WC a seguir a uma refeição, etc…
Segundo a Dr.ª Isabel do Carmo (2016)[2], do serviço de Endocrinologia do Hospital de St. Maria em Lisboa foi feito um estudo em escolas secundárias nos distritos de Lisboa e de Setúbal que revelou que 1 em cada 200 raparigas sofrem de anorexia. Na população universitária 3 em cada 100 sofre de bulimia. É caso para se refletir e ter uma ação preventiva ficando-se atento aos sinais desde o inicio.
Não paramos para perceber o que nos leva a comer compulsivamente nem para identificar os gatilhos emocionais que nos conduzem a uma anorexia e/ou bulimia e às compulsões alimentares, e esse é meio caminho andado para desenvolver estas perturbações. Consciente disto, Deepak Chopra[3] (2014, p.13), no seu livro Tem fome de quê?  refere que a solução para uma alimentação saudável é “transformar a sua consciência”.
 É impossível ter o controlo de todos os sentimentos e emoções que se vivem porém podemos aprender a gerir os pensamentos e a evitar os gatilhos emocionais que conduzem às compulsões alimentares.
Algumas dicas que poderão ajudar a evitar os distúrbios alimentares ou os gatilhos que lhes dão origem:
  • Procurares ajuda especializada (médica e terapias complementares);
  • Tornares-te consciente - identificares a emoção que sentes antes de ter o impulso para a compulsão;
  • Perceber se realmente sentes fome ou é apenas um impulso fruto de um estado emocional (tristeza, ansiedade…);
  • Beberes 1,5L litro de água/chá por dia para manter o estômago com sensação de saciedade;
  • Promoveres o teu bem-estar emocional;
  • Aprenderes a gerir o stress recorrendo à meditação e ao relaxamento;
  • Fazeres exercício físico;
  • Falares sobre o assunto com alguns familiares e amigos;
  • Fazeres atividades que te tragam alegria (Exemplo: caminhar na natureza, ler, pintar, dançar, estar com  os amigos, etc);
  • Escreveres sobre o assunto para libertar “o fardo”;
  • Fazeres afirmações positivas (A Louise Hay[4] tem livros e vídeos no Youtube que te poderão ajudar);
  • Trabalhares o teu autoconhecimento.

Quem já sofreu de distúrbios alimentares sabe que existe sempre a possibilidade de recaídas, assim como acontece com os transtornos aditivos, pois no limite procuram-se suprir necessidades de segurança, afeto, reconhecimento acabando por se preencherem vazios de forma rápida para atenuar a dor daquilo que não queremos sentir. Dói e causa sofrimento olhar para o problema e aceitar que não estamos sempre alegres e felizes mas quando escolhemos respeitar este Templo chamado CORPO, quando escolhemos honrá-lo ganharemos alegria de viver e resgataremos o nosso propósito nesta vida.
A boa notícia é que é possível sairmos da espiral fazendo as escolhas certas. É possível curar as feridas emocionais que conduzem a este flagelo, é possível voltarmos ao equilíbrio dos nossos corpos físico, emocional, mental e energético e para isso precisamos de estar dispostos à mudança. ACREDITA!
Nota final: Reforço que este post não substitui a procura de ajuda especializada na prevenção e tratamento de um distúrbio alimentar.

Teresa Peral



[1] Cordás, T. (2004). Transtornos alimentares: classificação e diagnóstico. In Rev. psiquiatr. clín. vol.31 no.4 São Paulo  2004, Recuperado de http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832004000400003&lng=en&nrm=iso
[2] Carmo, I. (2016). Isabel do Carmo fala de anorexia. In Mulher Portuguesa Recuperado de https://www.mulherportuguesa.com/pessoa/entrevista/dra-isabel-do-carmo-em-entrevista-a-mulher-portuguesa/
[3] Chopra, D. (2014). Tem fome de quê? 1ª Ed. Amadora: Editora Nascente
[4] Louise L. Hay era uma notável conferencista e uma autora de prestígio internacional e publicou dezenas de best-sellers sobre auto-ajuda e meditação.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Não Quero Competir Mais - 5 Estratégias para viver em paz e comunhão

Aprendi que as características pessoais não servem de critério para definir a identidade de cada um(a). Quero com isto dizer que hoje já não digo que SOU competitiva e prefiro dizer: - Sinto-me competitiva, em determinados momentos.

No âmbito do Ser, acredito que sou outras coisas: ser humano, mulher, filha, neta, prima, amiga, etc. mas não sou ambiciosa, nostálgica, alegre ou outro estado ou condição temporários que me possam assistir.

Quanto à competitividade, o tema deste post, dei-me conta de que não é uma característica pessoal definitiva. Ela pode ser ajustada à medida que nos desenvolvemos e moldada à forma como preferimos encarar a vida e as situações.

Percebi que a competitividade me afecta mais de maneira negativa do que positiva. É uma habilidade que já me serviu de impulso no passado, ajudou-me a chegar mais longe, a fazer várias coisas com mais qualidade e, sobretudo, a receber reconhecimento vindo dos outros. Porque, afinal, vivemos numa sociedade competitiva e pessoas que competem valorizam isso nas outras.

Ainda assim, dei-me conta de que cada vez que embarcava num desafio, movida pela vontade de competir, de ter mais e fazer melhor, tinha sempre por base outro processo: a comparação. Faço melhor, trabalho de forma mais eficiente, viajo por mais países… em rivalização com outra(s) pessoa(s). Também usava a comparação comigo mesma, com quem acreditava que fui no dia ou no ano anterior ou até mesmo noutra época da minha vida.


Tomei consciência de que a competitividade me levou várias vezes a estados de insatisfação e frustração. Na base de um comportamento que me movia face aos meus objectivos, estava esta necessidade oculta de “precisar de ser melhor”. Estava presente tanto em objectivos grandes como também em coisas simples, triviais e do dia-a-dia.



Garanto-vos que é um processo cansativo porque acredito que nunca se chega a ser melhor do que ninguém, nem mesmo melhor que nós mesmos. Somos o que somos e temos o que temos em cada momento. E isso é o que está bem. É o que está no seu lugar e o que nos pode dar a paz de viver no presente, satisfeitos com a forma como nos vemos no único momento que existe: o agora.

Quando “sinto que preciso ser melhor que…” estou a enviar-me a mensagem de que não valho, não tenho ou de que não estou a alcançar algo. Foco-me num estado de ausência e de vazio e, claro, isso conduz-me a estados de frustração e desilusão.


Assim, procuro encontrar formas mais criativas e harmoniosas para transcender esta necessidade que alimentei durante tanto tempo (e que possivelmente vai necessitar de atenção durante toda a minha vida).






·         Cuido da forma como penso e como falo comigo

Evito pensamentos de comparação. Reconheço as qualidades das outras pessoas e procuro enaltece-las, fazendo o mesmo com as minhas. Busco adaptar-me e render-me a uma forma de pensar que sinto que me traz mais paz, segurança e auto-estima.

·         Altero o foco para a valorização, gratidão e satisfação

Esta é a famosa opção de ver o copo meio cheio. Valorizo e aceito as características que tenho e o percurso que fiz. Não de forma comparativa mas tomando consciência de que em cada momento fiz o melhor que podia com os recursos (externos e internos) que tinha ao meu alcance. Agradeço cada dia e cada acontecimento procurando integrá-los como bênçãos por aquilo que são, não focando o que está em falta ou que ainda está por vir.

·         Entendo que competir não é inevitável

A Era e o modelo social em que crescemos e vivemos ensinou-nos que somos regidos pela lei do mais forte, criando-nos a necessidade de conquistar uma posição elevada ou poder sobre algo.

Defendo que este não é o único modelo funcional. Acredito num posicionamento social sem hierarquias e em formas de organização colaborativas. Já existem comunidades e grupos que se gerem com base nestes modelos. Então porque não buscar mais conhecimento e proximidade relativamente a eles e começar a ocupar o nosso lugar no seio deste paradigma?

·         Fazer e querer atingir projectos e objectivos por amor aos que decidimos empreender

Podes chegar a questionar:

- Se tudo está bem como está e agora não quero competir mais, vou deixar-me estar e ver a vida passar. É isso?

Do meu ponto de vista (que não é nem pretende defender uma verdade única) o objectivo não passa por deixar de fazer ou desafiar-se a chegar a outros lugares. A base desta questão tem mais que ver com a razão pela qual fazemos cada coisa. Abraçar cada desafio por amor a essa arte ou forma de estar é diferente de querer fazer para sentir-se melhor do que os outros. Fazer para mostrar que se faz, buscando reconhecimento. Então, faço algo simplesmente porque me nutre e alimenta e isso, em si, é a fonte da satisfação pessoal.

·         Colaborar e unir esforços (unir é melhor do que separar num mundo que quer que nos vejamos separados)

Novamente focando o modelo social actual, vemos que a competitividade nos conduz a uma necessidade de individualização, de separação dos outros e de desconexão de uma energia universal que nos une, fortalece e afecta a todos. Somos todos UM. Podemos identificar-nos mais ou menos com outras pessoas e gerir o nosso círculo de amizades e interacções da forma que for mais fluida para nós mas é importante vivermos em consciência de que todos estamos conectados e nos influenciamos energeticamente. Não há separação. À medida que me aceito e transformo, construindo um caminho de paz, estou a enviar essa energia aos que me rodeiam e para o mundo. Quando consigo encontrar o meu lugar nessa forma de estar, mais facilmente me aproximo de pessoas que querem praticar os mesmos valores. Vão-se construído círculos que se apoiam e vivem esta energia em comunhão. Nem sempre, num mundo tecnológico, estas pessoas estão fisicamente ao nosso lado, no entanto construímos juntos uma rede que se expande. À medida que essa expansão acontece, deixam de fazer sentido as lutas pelo poder e a necessidade de nos individualizarmos ou defendermos tanto. Há mais comunhão e amor partilhados, havendo cada vez menos espaço para o medo e a separação.

Daniela Toscano
danielalourotoscano@gmail.com




quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A minha vulnerabilidade


Quando me aceitei de verdade (re)encontrei-me!


Era Primavera, a Natureza vibrava lá fora, e eu ao contrário, passava por um dos períodos mais difíceis e exigentes da minha vida. Era um desafio hoje, era um desafio amanhã, era um outro depois de amanhã… Mal eu sabia que este período de desânimo e descrédito pela vida seria o passaporte para um eu mais inteiro, mais integral e integrado. Mais presente e consciente de mim mesma.
Os dias passavam e eu sobrevivia às dores da vida, dores essas que se iam manifestando no meu corpo físico. Eu que nunca tinha estado doente, via-me agora ali entregue a passar os meus dias deitada numa cama sem ânimo, desejo ou motivação para o que quer que fosse. Eu que sempre fora tão cheia de vida, tão cheia de energia, tão independente… Onde estava esse eu?
Aquele foi o tempo para questionar quem eu realmente era, o que queria deixar como legado a este mundo que me recebeu de forma a cumprir a minha missão, o que faz sentido para mim desde a minha essência… Quais as partes de mim que ainda mantinha escondidas na sombra, com medo de não corresponder com as expectativas alheias… Partes essas que se vieram a manifestar Luz e a possibilitar-me ser o que vim aqui para ser. Encontrei dons, talentos e recursos que me servem para SER!
Foi o tempo para me olhar, para me escutar, para me cheirar, para me sentir, para me saborear... Para me conhecer nas minhas fraquezas, na minha vulnerabilidade… Que eu sempre neguei enfrentar! Ali estava ela… Trazida pelo Universo de forma a eu não ter mais como fugir.
O encontro não foi confortável de início… Houve muita resistência do meu ego… Mas o Universo é extremamente sábio e sabia que eu estava pronta para aquele encontro… O meu self foi muito paciente com o meu ego… E o abraço forte, caloroso e sentido que me permiti dar à minha vulnerabilidade, levou-me a reconhecer nela mesma. A aceitar-me, a acolher-me e a honrar-me nesta complexidade que sou!

Hoje sou grata por tudo ter sido com foi, pois só assim tive oportunidade de me (re)conhecer.



Deixo-te esta partilha pessoal, com o desejo de que ela de alguma forma ressoe em ti e te leve a abrir espaço para uma nova tomada de consciência, uma tomada de consciência mais ampla e mais plena; no caminho da cura, da transformação e transmutação de alguma das tuas dores.

Catarina Ferreira dos Santos
cathy.f.santos@gmail.com

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

AMOR, Bálsamo Curador

Ao longo dos tempos escritores, filósofos, pintores, escultores e demais artistas, das várias artes se pronunciaram sobre o Amor.




Esta palavra mágica em qualquer língua significa a expressão de um sentimento, de uma emoção.
Houve quem retratasse o Amor como um sentimento que pode causar sofrimento. Estou a lembrar-me de "Romeu e Julieta", de  William Shakespeare.
No entanto, gostaria de realçar a excelência do Amor como essência mágica de cura.
Só o Amor Cura, poderia ser um lema para a vida ou a Esperança Maior para a cura de qualquer doença.

Pensa-se que existem várias formas de amar. Por exemplo, o amor de mãe/pai; o amor de um relacionamento entre dois seres; o amor fraterno. Mas a verdade é que a essência desse sentimento é sempre a mesma.
A essência do Amor é a semente que todos trazemos no mais profundo do nosso Ser Interno.
Esse Amor Maior que provém das Hostes Superiores e que nos Ilumina, anima e vivifica.
Sejam quais forem as crenças religiosas, ou ausência delas, a realidade é que toda a natureza vibra esse  Bálsamo. É uma vibração que nos dá Alegria de Viver e nos alimenta a Alma.

A cura acontece quando nós nos permitimos vibrar, sintonizar com esse Amor e deixarmo-nos impregnar, para depois expandi-lo para todos os que se cruzam connosco no dia-a-dia.
Desta forma vamos alimentando a nossa Alma, iluminando e regando essa semente que todos trazemos desde a nossa génese.

Quando deixamos de vibrar nesse Amor por nós e pela vida, surge a desarmonia nos nossos corpos e consequentemente a doença.
Logo se fizermos o inverso, se apelarmos à Alegria de Viver e alimentarmos a Alma conseguiremos o Equilíbrio, a CURA.

Como podemos fazer isso?
R: Basta lembrarmo-nos do que nos dá Alegria de Viver

Proponho que respondam a estas questões e busquem na vossa memória, se necessário até à infância:
  • Quando estou muito feliz e alegre, o que estou a fazer?
  • Quando estou muito feliz e alegre, o que estou a preencher em  mim?
  • Onde estou quando me sinto assim tão pleno?
  • Há quanto tempo não me sinto alegre e feliz?
  • O que preciso voltar a fazer para me sentir com alegria de viver?
Depois de respondermos a estas questões saberemos certamente como nos amarmos a nós próprios, vivendo com Alegria e em Harmonia com todo o nosso Ser, de acordo com a nossa Essência.

Isto é viver em Amor. Em Amor por si próprio.
Só assim poderemos partilhar esse Amor que começa em nós e se expande para todos os outros.
Só o Amor Cura cada um de nós e a Humanidade.
AMA-TE, AMEMO-NOS.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Círculos de Mulheres para mulheres contemporâneas

Era uma vez uma menina que não suportava calças e muito menos cabelo cortado à le garçon...!

Recordo-me (desde sempre) que a reverência ao feminino era (e é) um aspecto muito presente na minha vida. Expressava-o, de forma inconsciente, através dos desenhos alusivos ao feminino, através da roupa que vestia (saias e vestidos), através da necessidade imperativa em manter o meu cabelo comprido (as minhas antenas!). A expressão de uma identidade assumidamente feminina e que me lembra do prazer em Ser e Sentir-me Mulher.

O padrão familiar do qual provenho é marcado por uma linhagem de mulheres matriarcas cuja atitude apreendida foi a da mulher trabalhadora, educadora dos filhos, a que está na linha da frente na resolução de problemas de toda a ordem e a de achar que a ajuda de um homem era menos relevante. Neste sistema familiar o padrão vigente foi sempre o de mulheres que tiveram de tomar decisões importantes e em muitos momentos não se permitiram mostrar fragilidade (embora a sentissem). Herdei, em alguns aspetos, este lado matriarca e o trazer para mim muitas responsabilidades que não soube partilhar e gerir nos relacionamentos conjugais que vivi custando-me, entre outros fatores, o final dessas relações.

Entre muitas vivências doridas e outras prazerosas escolhi sempre extrair as aprendizagens. Umas vieram mais rápido e outras mais lentamente pois integrar mente (pensar) e coração (sentir) nem sempre é tarefa fácil.

O meu processo de cura e de despertar para o Sagrado Feminino iniciou, conscientemente, em 2016 após vivenciar o luto de uma relação. Senti nessa altura o chamado para integrar um clã de mulheres denominadas de Guardiãs do Ventre e do Sagrado Feminino [1]onde acredito ter dado início ao resgate do meu feminino sagrado.

Imagino que estejam a perguntar o que é o Sagrado Feminino?

Convido-te a interromper a leitura por alguns instantes e responder a ti mesma/o o que representa o Sagrado Feminino para ti? Não há respostas certas ou erradas...

Para mim representa escutar a intuição, a minha sabedoria interna, despertar para os mistérios da Vida. O aceitar a fragilidade e, simultaneamente, reconhecer e assumir o meu lado selvagem.

Ressalvo que o movimento do Sagrado Feminino não é igual a Movimento Feminista (e nada contra!) mas se quisermos uma definição poderá dizer-se que é “o resgate de uma consciência antiga que nos retorna aos valores de nós mulheres num todo, social, pessoal, psicológico, religioso, cultural, além de uma busca pela atitude ecologicamente correta” (2018, Gaya)[2]. 

Ainda em 2016 uma amiga incentivou-me a facilitar um Círculo de Mulheres. Em cada Círculo de Mulheres[3] tive a oportunidade de me colocar ao serviço de outras mulheres, assumindo o compromisso firmado quando me tornei guardiã do ventre. Senti e sinto um verdadeiro retorno a casa. Algo que inexplicavelmente vem de dentro e que transcende os aspetos racionais. Crê-se que os Círculos sempre existiram como práticas em sociedades regidas por um regime social de parceria e comunhão entre si e com a natureza. Após reunir algumas ferramentas e a confiança necessária facilitei o meu primeiro círculo e a seguir a esse vieram outros 14 círculos que se revelaram maravilhosamente enriquecedores...


Quando as mulheres se sentam em roda o sentimento de união e de igualdade emerge (não há uma hierarquia), estamos de igual para igual a partilhar as feridas emocionais num ambiente seguro e isento de julgamento. Estas feridas resultaram de um passado marcado por uma civilização patriarcal em que as mulheres se tornaram competitivas e desligadas da sua essência.

Da experiência que tenho vivido posso partilhar que as emoções e conexão que se experimenta num círculo é algo de poderoso e transformador. A cumplicidade flui, o espaço para a partilha surge, as dores atenuam e lembramo-nos que não estamos sozinhas na Caminhada. Em cada círculo choramos, dançamos, abraçamo-nos, confidenciamos histórias, pintamos, rimos, cantamos, lembramos a doçura de se ser Mulher. Honrar a benção que nos está a ser concedida.

Realço que o objetivo deste artigo não é crucificar os Homens nem gerar a divisão, pelo contrário, é compreender que também os homens carregam as suas feridas e que se trabalharmos para equilibrar estas polaridades (feminino, masculino) em nós, por certo estaremos a contribuir para a criação de uma sociedade mais amorosa em que as relações mulher-homem possam ser harmoniosas e curadas lado a lado. Em Portugal já se facilitam Círculos de Homens onde também é possível trabalhar o resgate do Sagrado Masculino[4]  e Círculos Mistos (Homens e Mulheres) [5]

O meu objetivo é lançar a semente para a compreensão do que representa o Sagrado Feminino e a importância dos Círculo de Mulheres para as mulheres contemporâneas em que me comprometo em levar este propósito mais longe!

Convido-vos a procurarem participar num Círculo de Mulheres perto de vocês, por certo que encontram e sintam a experiência tirando as vossas próprias conclusões!


Lembrar, por fim que “é através do regresso ao Círculo e à liderança circular que iremos transformar a nós mesmas e ao mundo pois é nele que se encontram as chaves para a União de todas as partes (2018, Inês Gaya)


Aho!


[1] As Guardiãs do Ventre e do Sagrado Feminino representam um clã de Mulheres que têm como propósito assumir um papel ativo no despertar do Sagrado Feminino.
Este Clã está ligado pela missão de Empoderar e Educar mulheres e homens, repondo a verdade e curando as feridas de um passado marcado por uma energia excessivamente castradora e patriarcal. Fonte: Gaya, Inês (2016). As Guardiãs do Ventre e do Sagrado Feminino In Manual Guardiãs do Ventre e do Sagrado Feminino.
[2] Sagrado Feminino. Fonte: (2018) Gaya, Inês. Sabedoria Ancestral para Mulheres Contemporâneas In Manual Formação de Guardiãs de Círculos Feminos

[3] Círculos de Mulheres – São encontros em que mulheres se reúnem e partilham as suas dores, as suas feridas emocionais com um propósito comum: Se reconectar com a sua essência feminina resgatando o seu sagrado feminino e melhorando e curando as suas relações com todos e com tudo o que a rodeia.





Teresa Peral

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Reduzir

Vivemos rodeados de objectos, de móveis, de equipamentos electrónicos, de roupa, de tralha. Tralha que nos vendem como indispensável, como a última novidade, como o segredo para a felicidade. São equipamentos informáticos que ficam desactualizados a partir do momento em que os compramos, são as épocas de saldo (quatro por ano) que nos impulsionam a comprar roupa que nunca vestimos, é a publicidade que nos entra pelo cérebro adentro de todas as formas possíveis e imaginárias, e agora publicidade dirigida, através dos nossos perfis sociais públicos, impulsos vários para consumir coisas de que não precisamos e nos fazem viver rodeados de excesso e desperdício.

Fecho os olhos e respiro fundo, recuo três décadas, e estou em casa dos meus avós, onde passei muitos meses de férias numa casa onde existia muito menos e onde me senti sempre deliciosamente bem. Onde abundava aquilo que verdadeiramente faz falta. Espaços simples e arrumados, espíritos leves e felizes, visitas diárias de amigos, sorrisos, muitos sorrisos e uma mesa sempre posta, que convidava a sentar e ficar! Onde não me recordo de ver coisas que não eram utilizadas, tudo, absolutamente, tinha um propósito. A roupa de ambos cabia num só roupeiro bem mais pequenino do que os que utilizamos actualmente, o armário da casa de banho era minúsculo e continha todos os produtos de higiene necessários, o frigorífico onde nada se acumulava e onde a comida nunca se estragava. Podia continuar num rosário de exemplos …



Na última década confrontei-me com o meu próprio excesso e consumo desnecessário e acumulação de coisas que não me serviam absolutamente para nada. Coisas que enchiam gavetas, móveis, roupeiro e até o armário da casa de banho estava a rebentar pelas costuras, parecia servir uma turma de 30 pessoas. No fundo tentava preencher a alma, sem sucesso claro, ela não gosta de tralha, muito menos daquela inútil. Mas isso tenho vindo a descobrir devagar. Desde miúda que as casas me fascinam e adoro decoração e mudanças, não sei dizer quantas vezes mudei a casa dos meus pais enquanto vivi com eles e mais tarde a minha própria casa. Há uma frase famosa de Coco Chanel: "A woman who changes her hair is about to change her life", isto é, "uma mulher que muda o cabelo está prestes a mudar a sua vida", no meu caso acontece com os móveis, camas, mesas e sofás.

É incrível a quantidade de tralha da qual nos rodeamos que não serve absolutamente para nada, a não ser para nos dar trabalho a manter e limpar. Ou porque achamos que um dia podemos precisar, ou porque nos deram e temos pena de nos desfazer, ou porque pagámos caro e agora não sabemos despedir-nos, enfim uma lista infinita de motivos que nos leva a acumular, guardar e manter coisas que não só não nos fazem falta como nos causam prejuízo. Viver num espaço desorganizado, confuso e cheio torna-nos desorganizados, confusos e cheios e vice-versa, estados de espírito confusos tornam os ambientes confusos. De forma muito subtil esta tralha inútil afecta a nossa qualidade de vida.

Reduzi drasticamente a tralha lá de casa. Vendi candeeiros e móveis, dei roupa e objectos de decoração a amigos e instituições, mandei fora papéis, facturas, contractos, manuais de instruções e revistas que nunca mais iria utilizar. Só não consegui abrir mão dos livros, esses são património sagrado. Despachei tudo aquilo que não me dava alegria ou satisfação. A minha casa e a minha vida ficaram muito mais simples e bonitas. Ficaram as peças que adoro e utilizá-las é agora não só mais frequente como muito mais prazeroso. Vestir-me de manhã deixou de ser um pesadelo, no meu roupeiro só estão peças que adoro e consigo ver todas!

De forma mágica tenho vindo a descobrir aquilo de que realmente gosto e que faz sentido para mim. Faço escolhas muito mais ponderadas e sensatas antes de uma compra. Agora, comprar é um acto certeiro, cirúrgico e muito menos frequente. Viver com menos aumenta e enriquece o espaço e o tempo para fazer as coisas que verdadeiramente nos satisfazem!


PS – Deixar ir aquilo que não nos serve e não nos satisfaz não é desperdício. Desperdício é manter-nos presos a coisas que nunca iremos utilizar.

Rita Carreto
ritatoscanocarreto@gmail.com


sábado, 23 de dezembro de 2017

Vive a tua verdade em 2018

As datas, as orientações, as coordenadas…
É certo que algumas pessoas necessitam mais destes marcos que outras. É certo também que há datas marcantes pelo simples facto de assinalarem inícios ou fins, celebrações e lutos.
O fim de ano presta-se naturalmente a um encerrar de ciclo e ao vislumbre de novas possibilidades.
Algumas pessoas já se esqueceram de festejar esta época, outras talvez a vejam como qualquer outro dia e ainda outras, possivelmente, só a sintam como uma oportunidade para cometer excessos e alhear-se da realidade.
Seja(m) este(s) o(s) teu(s) estados(s) ou não, o fim de ano representa um fim de ciclo e se quiseres que assim seja, um tempo propício à reflexão – para reflectir com a cabeça e com o coração (tu sabes que o coração não reflecte, mas sente… E o sentir sempre é mais sábio que o pensamento…).


Ainda estás a tempo de considerar esta época como uma oportunidade para de verdade pensares e decidires sobre o que queres deixar neste ano que está a terminar e o que queres levar contigo para 2018.
Aqui vai uma ajuda com algumas perguntas:
Há coisas que viveste e não gostaste?
Houve acontecimentos que, de alguma forma, gostarias de voltar a viver?
Como te sentiste durante a maior parte do ano de 2017? Feliz, triste, realizado(a), frustrado(a)? Houveram outros sentimentos?
Que aconteceu neste ano que te fez crescer?
Em que direcção caminhaste? Queres continuar por aí ou sentes que é melhor mudar?
Que coisas dão sentido à tua vida e que fizeste por elas durante este ano?
O que gostarias que estivesse contigo em 2018? Que tipo de sensações? Como te propões a alcançá-las?
Há medos que queiras deixar em 2017? Quais são? Que outras sensações te pede o teu corpo ao invés desses medos? Que oportunidades podes criar para senti-las?
…
Posso continuar…
Continuar a fazer-te perguntas… tantas quantas couberem neste artigo.
Para algumas vais sentir que não tens resposta. E está tudo bem com isso.
São as perguntas, a única forma que conheço para impulsionar a busca e, neste caso, a busca dentro de nós, em profundidade. Fazer esta observação de nós mesmos costuma “custar comó caraças!”. 
Ainda que algumas perguntas sejam aparentemente simples, não o são. A proposta deste texto é de que não fujas a esta reflexão e sobretudo que acolhas o sentir que ela te trouxer (seja ele mais alegre ou mais triste).
Escreve as respostas, se isso fizer sentido para ti. Define outras perguntas para o teu Ser, mesmo que ainda não conheças as respostas… Não importa que não as conheças ou que demores muito em descobri-las.
Apenas abre esse espaço e abraça-te com muito amor enquanto te permites viver as certezas e as dúvidas que surgem nestes momentos em que nos escutamos, em que trazemos à tona o que navega nas águas mais profundas de quem Somos.

Podes sentir angústia e até medo durante esta observação. Se isso acontecer lembra-te de algo:
Há um lado divino em ti, um lado que pode tudo e no qual podes sempre confiar.
Há vezes em que te esqueces de que está lá… sempre presente para te guiar. Diz a esse teu lado para onde queres caminhar, que queres que continue no teu percurso e que queres limpar e deixar para trás. Partilha com o teu divino os teus desejos e inquietações e fica atento(a) a qualquer sinal de resposta… Uma frase que lês num livro, um sonho mais vívido, uma sensação, uma palavra de um(a) amigo(a), etc… Confia nos sinais, nas coincidências e nas sincronicidades e deixa que iluminem o teu trilho.
Sobretudo, confia em Ti e no teu Sentir para seres mais honesto(a) e viveres mais a Tua verdade em 2018.
Faz deste novo ciclo um ano extraordinário, simplesmente porque mereces! 

Daniela Toscano
danielalourotoscano@gmail.com