terça-feira, 18 de junho de 2019

O Útero e benefícios do Ritual do Útero para a Mulher Moderna

Muitas mulheres, na contemporaneidade estão a sentir o chamado para “voltar a casa”, se reconectarem com a mulher selvagem que as habita, isto é, o reencontro consigo mesmas, com a sua essência mais profunda.
Este processo que envolve o despertar de tantas insere-se no movimento do Sacrado Feminino e traz consigo cura e transformação.
O resgate da Alma feminina envolve a cura de uma ferida presente no coração e no útero do inconsciente coletivo (Gaya, 2018[i]) e… por falar em útero  vamos perceber o que é o Ritual do Útero, de onde vem e que benefícios traz à mulher moderna.
O útero é um dos orgãos do sistema reprodutor feminino mas para além disso é um dos principais centros energéticos da mulher. Este “vaso sagrado” transporta em si memórias de experiências  positivas e negativas e é onde reside o  nosso potencial criativo para gerar vida, novos projetos, novos relacionamentos, etc…  urge então que a mulher moderna tenha a oportunidade de se religar à sua energia uterina.
As suas capacidades intuitivas e criativas poderão ser expandidas através da reeconexão com o seu ventre. Lembrando que este é um espaço sagrado, a sua cura permite à mulher moderna sentir-se mais amorosa, empoderada e usufruir de uma melhor saúde física, emocional, mental e energética.
Como poderemos então começar a curar a fonte, o nosso centro de poder? Por exemplo, recebendo e transmitindo o Ritual do Útero a outras mulheres.

O que é Ritual do Útero?


É uma bênção orientada a todas as mulheres, em qualquer idade, urbana ou não urbana, com credos ou sem credos, de qualquer etnia e cultura e dispostas a resgatar o seu sagrado feminino.
Devolve à mulher a conexão com a sua natureza feminina, a expansão da sua criatividade, consciência e a comunicação com o seu centro de poder (o ventre).

Como acontece?

O ritual é transmitido num espaço seguro e acolhedor através de uma simples cerimónia.
Quem o transmite é uma Womb Keeper (guardiã do útero), uma mulher que recebeu esta bênção e que poderá transmiti-la a outras mulheres.
A mulher que recebe este ritual poderá (e será benéfico que o faça) transmiti-lo, também, a outras mulheres tendo sempre o seu nível de consciência e responsabilidade bem presentes.

A mulher que recebe esta bênção torna-se uma womb keeper.
Qualquer mulher poderá receber este ritual, estando com o seu ciclo menstrual ativo ou já vivendo a sua fase de plenitude (após menopausa).
Nota: Não precisa de se despir, nem trazer saia, apenas roupa confortável e uma genuína presença.

Benefícios deste ritual


O ritual do útero reveste-se de um poder de purificação, libertação de medo e de dor que carregamos no nosso vaso sagrado. Trabalhar na cura e limpeza de memórias da nossa linhagem ancestral feminina é um serviço que prestamos a nós mesmas e que contribui para a cura da Mãe Terra.


Origem do Ritual

O ritual do útero foi recebido por Marcela Lobos, membro da Four Winds Society, em março de 2014 pelas mãos de um grupo de mulheres sábias da Amazónia, membros de uma linhagem ancestral de Mulheres Livres. Após 10 anos em contacto com os ensinamentos desta linhagem, foi-lhe comunicado que o seu útero estava preparado para receber o Ritual do Útero (13º Ritual do Munay- Ki) e que este deveria ser transmitido ao maior número de mulheres.

O Ritual do útero insere-se numa sequência de 9 rituais Incas Munay - Ki, sendo este o 10º, porém, assumiu o 13º lugar em honra ao princípio feminino e ao ciclo lunar (13 Luas).

Por fim, aproveito para partilhar contigo que facilitarei um Círculo de Mulheres  para a transmissão do Ritual do Útero no dia 30.06.2019 (Sabe mais no final deste post, na nota de roda pé[ii]).

 O que aprenderás?

- Origem do Ritual
- Aprender a preparar o espaço sagrado
- Meditação
- Limpeza energética do Útero
- Transmissão do 13º Rito Munay-ki
- Como nutrir o Útero

Inclui:
Breve Manual com todos os passos e indicações práticas para te tornares uma Womb Keeper.

Quanto mais mulheres receberem este ritual mais a cura do feminino se poderá dar e consequentemente a cura da Mãe Terra.



Em Amor…
Alma, Corpo e Mente…



Teresa Peral




[i] Gaya, I. (2018). Sabedoria Ancestral para Mulheres contemporâneas – coletânea de textos da formação Gaya Circle – Guardiãs de Círculos Femininos.
[ii]  Ritual do Útero – Circulo de Mulheres


Dia: 30.06.19
Hora: 10h às 13h
Local: Espaço Mil Folhas de Lótus
 R. Prof. Ricardo Jorge 10, Miraflores, Algés
Inscrições através do e-mail: milfolhasdelotus@gmail.com (nome, e-mail, telefone);
Valor de troca: 25 € /por mulher
INSCRIÇÕES ATÉ DIA 26/06/19

Facilitadora:
Teresa Peral - Mãe, Womb Keeper, Facilitadora de círculos femininos
e-mail: teresaperalribeiro@gmail.com
Tel: 933737298

terça-feira, 11 de junho de 2019

Mais Poesia e Menos Terapia

Precisamos de um mundo que nos ilumine as entranhas… 
que traga à luz a arte e a beleza que temos dentro. 

Precisamos de sopros de loucura e também de nos apaixonarmos mais vezes.

Precisamos de mais olhos-nos-olhos e menos medo de nos encontrarmos em abraços.

imagem em www.tumblr.com

Precisamos de entrega nas relações e de mil sorrisos nos encontros fugazes. Precisamos de dançar mais e reclamar menos. Precisamos de aumentar a taxa de agradecimentos e de BONS DIAS ditos em melodia.

Precisamos de um amor e de um milhão de amores. Vamos fazer a guerra do amor e da gentileza. Precisamos de criar um mundo onde haja espaço para vulnerabilizar-nos sem terror de ser feridos. Precisamos de paz no coração, brilho no olhar e de Vida espreguiçada no acordar.

Precisamos de risos e gargalhadas sonoras. Precisamos de nos cheirar a pele e de nos reconhecermos como iguais.
imagem em www.newyorker.com

Precisamos de canções, de amigos, de mães, pais, avós e avôs, de mãos dadas em roda.

Precisamos de ouvidos para gritar quando estamos angustiados e de colos para chorar quando a tristeza nos come por dentro.

Precisamos de ti e precisamos de mim, em soluções para todos, em construções comuns.

Precisamos de um mergulho emocional, de uma abertura de almas. Precisamos de gente real e visionária.

Precisamos de beijos de língua, apertos de mãos sentidos, festas no rosto, abraços reais, toques suaves, palavras francas. Precisamos de fazer mais amor, daquele que nos liberta e nos solta à criatividade do espaço infinito. 

Precisamos de ti… Junta-te aqui! Vamos fazer com que um dia a poesia seja a terapia mais usada por todos e a beleza da vida seja a maior das bênçãos que todos nos lembramos de celebrar!

Daniela Toscano
danielalourotoscano@gmail.com

quarta-feira, 5 de junho de 2019

SEXUALIDADE FEMININA

Muitas são as mulheres que têm bloqueios na sua sexualidade, que não conseguem perceber ou explicar. 

créditos: sexualidade feminina, Tatiana Toroquato Lima
Na minha experiência enquanto coach/terapeuta tenho constatado que esses bloqueios podem manifestar-se de diferentes formas:
  •  não conseguem atingir orgasmo; 
  •  não se conseguem entregar ao prazer do acto/momento; 
  • simplesmente não se conseguem conectar com o parceir@ embora o/a amem e o/a desejem;
  • não conseguem "satisfazer" as fantasias do parceir@, nem as suas próprias fantasias sexuais;
  • ou têm traumas que as impossibilitam de ter prazer.
As causas, a raiz destes bloqueios muitas vezes estão no inconsciente. Podem ser crenças limitadoras; traumas muito antigos não conscientes nesta vida;  traumas de vivências sexuais não prazeirosas, abusos, entre outras.
Mas os bloqueios mais comuns são as crenças religiosas e culturais que existem no inconsciente colectivo feminino da nossa sociedade, como por exemplo;
  • A mulher deveria subjugar-se a um acto que o homem queria e a quem devia obrigação de proporcionar prazer ou apenas se submeter.
  • A mulher não precisa sentir prazer porque o sexo é imundo e um acto profano que apenas tem sentido se for para a procriação.
  • A mulher deve ser submissa e fingir o orgasmo, quando não o sente.
  • A mulher que gosta de experienciar a sua sexualidade e ter prazer é uma "desavergonhada/prostituta"
  • A mulher "séria" não deve usar lingerie sexy ou provocante...
Enfim todas estas crenças ocultas no inconsciente colectivo da nossa sociedade patriarcal e religiosa, impossibilitam a mulher de viver a LIBERDADE de SENTIR e experienciar a sexualidade de forma saudável e prazeirosa.

Mulher liberta-te destas crenças limitadoras da tua sexualidade, e permite-te sentir prazer no teu corpo, nessa partilha de dar/receber amor/prazer, entre dois seres que decidem livremente viver a sexualidade, de igual forma, com a mesma intensidade e em liberdade.

É importante também a mulher poder usar  a autoexploração do seu corpo, através da masturbação que é uma forma de autoconhecimento, que permite perceber melhor o corpo, e poder partilhar os seus desejos íntimos com o/a parceiro/a. Esta é uma forma de nos conhecermos e libertarmos dos tabus em relação aos nosos desejos e fantasias.

Se precisares de ajuda para trabalhar os teus bloqueios sexuais, neste blog tens várias coaches e psicóloga a quem podes recorrer.


Em Amor...
Com Alma Corpo e Mente

                                                                                                           
                                                                                                               Cristina Méga
                                                                                                cristinamarimega@gmail,com

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Aceita-me como sou

“Os vossos filhos
não são vossos filhos:
são filhos e filhas do chamamento da própria Vida.

Vêm por vosso meio
mas não de vós;
e, apesar de estarem convosco,
não vos pertencem.

Podeis dar-lhes o vosso amor
mas não os vossos pensamentos:
porque eles têm pensamentos próprios.

Podeis acolher os seus corpos
mas não as suas almas:
porque as suas almas
habitam a casa de amanhã,
que não podeis visitar
nem sequer em sonhos.

Podeis esforçar-vos por ser como eles;
mas não tenteis fazê-los como vós.
Porque a vida não vai para trás,
nem se detém com o ontem.

Sois os arcos, e os vossos filhos
as setas vivas projetadas.

O Arqueiro vê o alvo no caminho do infinito,
e retesa-vos com o seu poder
para que as setas
possam voar depressa para longe.

Que a vossa tensão na mão do Arqueiro
seja de alegria.

Porque assim como Ele gosta
da seta que voa,
também gosta do arco que fica.”

de Khalil in “O Profeta”


Photo by Priscilla Du Preez on Unsplash

Hoje partilho convosco este texto que reflete algo em que acredito profundamente: a nossa relação com os nossos filhos existe para o nosso próprio crescimento e para o crescimento dos nossos filhos.

Não tive na minha vida experiência mais transformadora do que ser mãe, um convite constante ao meu auto-conhecimento, ao reconhecimento das minhas emoções (muitas delas relacionadas com a minha própria infância), das minhas necessidades, dos meus limites pessoais. Esta transformação é essencial se queremos praticar uma parentalidade consciente. Os filhos vêm ajudar-nos a regressar à essência e a transcender as limitações da nossa própria mente, levam-nos a contactar com o nosso  passado emocional e vêm ajudar-nos a ter noção do quanto ainda nos falta crescer. 

Para praticar parentalidade consciente não procuramos respostas fora da relação parental, confiamos que todas as respostas se encontram na relação e na dinâmica entre pais e filhos. Neste caminho, é importante que nós, enquanto pais, aceitemos os nossos filhos, tal como são com o direito de ser quem são, de se exprimirem e de expressarem aquilo que sentem sem precisarem da nossa aprovação. Para que cresçam com um forte sentido de valorização pessoal, que sintam que a pessoa que são, a sua essência única merece ser celebrada. 

A parentalidade consciente é portanto muito mais sobre desaprender do que sobre aprender. É como um regresso a casa, um (re)conectar com a nossa sabedoria e competências inatas. Citando as palavras de Jon Kabat-Zinn: 


“As crianças personificam o que de melhor há na vida. Vivem no momento presente. Fazem parte do seu extraordinário florescer. São pura potencialidade, simbolizando vitalidade, emergência, renovação e esperança. São puramente aquilo que são. E partilham essa natureza vital connosco e ativam-na em nós também, se escutarmos atentamente o seu chamamento.”

As crianças que crescem a sentir-se aceites, reconhecidas e valorizadas por serem quem são (e não pelo que fazem) tornam-se adultos com uma autoestima mais forte, mais confiantes da sua própria sabedoria interior, maior capacidade para lidar com as suas emoções, para satisfazer as suas necessidades e comunicar os seus limites. Não ficam dependentes da expectativa nem da aprovação dos outros para encontrarem e seguirem os seus próprios caminhos, sabendo que quaisquer que sejam as suas escolhas e os seus resultados, são sempre merecedores de todo o amor do mundo.

Aceitar os filhos por aquilo que são não quer dizer passividade nem significa que vamos permitir comportamentos que se podem revelar perigosos ou destrutivos sem intervir. Significa que aceitamos o ser dos nossos filhos e a situação tal como é e agimos em conformidade (deixando que seja a nossa consciência a revelar-nos o que é mais importante nesse momento, e de acordo com as nossas intenção enquanto pais).

A nossa capacidade aceitar os nossos filhos está diretamente relacionada com a capacidade de nos aceitarmos a nós próprios na nossa imperfeição. Na parentalidade consciente não ajuda a abordagem tudo ou nada e é importante recordarmo-nos que é um caminho que não acontece de um dia para o outro, é uma forma de estar na vida! Partilho convosco algumas das minhas intenções em que procuro aceitar-me a mim mesma (e nem sempre consigo), inspiradas no livro Pais Conscientes da Shefali Tsabary: 

  • Aceito a minha individualidade antes de ser mãe
  • Aceito que tenho limitações, falhas e defeitos
  • Aceito que não sei tudo, que cada momento é uma nova aprendizagem
  • Aceito que às vezes meto os pés pelas mãos e me atrapalho
  • Aceito que tenho dificuldade em admitir as minhas falhas
  • Aceito o meu ego e a minha vontade de controlar
  • Aceito os meus sentimentos de insuficiência e a necessidade de ser reconhecida
  • Aceito que por vezes estou tão cansada que perco o discernimento
  • Aceito que a minha intenção e o meu esforço são suficientes

A aceitação é fundamental para termos mais escolha, a consciência de que vamos sempre a tempo de nos conhecermos melhor (a nossa luz e a nossa sombra) e dá-nos a cada momento a possibilidade de fazer diferente e mudar o que queremos mudar.

Photo by James Wheeler on Unsplash

Observo que muitos de nós, crianças e adultos, vivemos com a sensação de não sermos aceites por quem somos, de que de alguma forma não correspondemos às expectativas, não estamos à altura ou temos medo de desiludir. Acredito que se nos aceitássemos mais uns aos outros e se mostrassemos mais curiosidade pelo mundo interior do outro, em vez de julgar e emitir juízos de valor, muita coisa mudaria, provavelmente seríamos todos mais felizes, autênticos e livres para ser quem somos. Não significa que vamos gostar ou concordar com tudo mas que temos o mesmo valor e somos respeitados, amados e aceites por quem somos, na nossa diferença e essência única. Não necessitamos de validação ou aprovação, porque a encontramos internamente e ela é reconhecida por quem nos vê, ouve e sente, tal como somos.

Esta é a magia de partilhar este caminho e este convite dos nossos filhos, como parceiros na nossa evolução conjunta, no regresso à “nossa casa”. Termino este texto com mais uma citação do Jon Kabat-Zinn que considero que traduz a ideia que vos quero deixar.


“Quando um filho, independentemente da idade, sente a nossa aceitação, quando sente o nosso amor, não apenas pelo seu ser atraente, agradável e de fácil convivência, mas também quando é difícil, desagradável e exasperante, isso pode libertá-lo e permitir-lhe que seja mais equilibrado e íntegro. Os filhos são capazes de enfrentar todo o género de dificuldades e desafios se puderem regressar ao poço do nosso amor incondicional. Pois é no reconhecimento e na nossa aceitação deles que o desenvolvimento e o restabelecimento interno ocorrem.” 

Cristina Batalha
Coach & Facilitadora de Parentalidade Consciente
cristinabatalha@gmail.com

sexta-feira, 24 de maio de 2019

A Escravatura da Felicidade

Viver na "obrigação" de ser feliz tornou-se, atualmente, um lugar comum.

Pensa positivo. Vai tudo correr bem. Não sejas escravo das tuas emoções negativas.
E tantas outras frases que poderias recitar comigo, se seguíssemos por esse caminho vazio.

Se me perguntares se prefiro estar feliz ou sentir-me triste, é obvio que te respondo que é bem melhor sentir-me feliz, equilibrada e manter-me numa visão positiva e expandida da vida.
Já se a pergunta for: É esse o teu estado emocional habitual? 
A resposta é não.

Talvez as sensações pelas quais tenho passado mais vezes ultimamente sejam:
- stress
- cansaço
- algumas vezes, angústia
- outras, falta de foco.

E, na verdade, apesar de não permanecer nelas ad aeternum, todas me parecem adequadas e úteis (sempre e quando me mantenha capaz de as observar conscientemente e detenha a habilidade de as equilibrar com momentos alegres, serenos, entusiasmados e focados).


Quando o mundo à nossa volta nos impele a fugir de tais sensações ditas negativas, seja através do apelo ao consumo usando promessas de bem-estar, do estímulo a atitudes competitivas para o alcance de objetivos individuais ou oferecendo um sem fim de terapias milagrosas; podemos cair na ilusão de que o caminho para a felicidade se faz sempre recorrendo a elementos externos a nós. E, claro, somos livres de recorrer a cada uma das possibilidades que nos são oferecidas...

Ainda assim, a proposta que te deixo hoje é a seguinte:

Sempre que buscares alívio imediato para as tuas "dores de alma", pára um instante e observa-te em consciência, sentido cada emoção:

- Identifica-a no teu corpo.
- Mergulha na sensação que te provoca e vive-a, sem a quereres definir.
- Talvez a possas localizar em alguma parte específica do teu corpo ou mesmo observar que tem uma forma geométrica.
- Conecta com esse estado em profundidade, sem pressa e sem procurares respostas.


E, depois de teres feito este scan interno, poderás talvez colocar-te algumas questões e observar o que te dizes a ti mesmo(a) em resposta:

- Como definiria o que estou a sentir?
- Porque me quero afastar desta sensação?
- Qual a emoção ou sentimento que quero que me preencha em alternativa a este desconforto?
- Poderei dar um sentido ou significado a esta dor?
- O que posso aprender sobre mim enquanto me observo?

Oferece-te um espaço de silêncio de preferência num lugar onde possas estar em contacto com a Natureza (montanha, rio, bosque, praia, etc.) para te poderes sentir.
É quase sempre o silêncio - externo e interno - que nos oferece as orientações mais úteis.



Na obrigação de sermos felizes, corremos muitas vezes atrás de algo impossível, mantemo-nos em constante movimento para nos distrairmos, aceleramos a velocidade interna e esquecemo-nos de que existe dentro de nós uma voz sábia e cuidadora.

Dedica alguns minutos da tua semana ao silêncio (a semana tem 10.080 minutos!). 😊 
Permite-te sentir a luz e a sombra sem pressas ou apegos aceitando que a dualidade existe em ti através da alegria e da tristeza, do amor e do ódio, da serenidade e da ansiedade...
Tal como na Natureza existem o dia e a noite, o sol e a lua, o verão e o inverno que apenas vivemos, sem pedir à noite que se transforme em dia ou à lua que ocupe o lugar do sol.

Em Amor,
com Alma, Corpo e Mente!


Daniela Toscano
danielalourotoscano@gmail.com


NOTA: 
Se sentes estados emocionais que te causam desconforto com frequência, procura apoio de profissionais qualificados que te ajudem a sentir bem contigo, sem negar o lado sombrio que todos naturalmente vivenciamos.   



sábado, 18 de maio de 2019

Clã das Cicatrizes


“Há oceanos de lágrimas que as mulheres nunca choraram porque foram educadas a carregar para a sepultura os segredos da mãe, do pai, dos homens, da sociedade, e até os seus próprios (p.439)”.

Esta frase é de Clarissa Pinkola Estés e podemos encontra-la no capítulo Marcas de Batalha: Pertencer ao Clã das Cicatrizes, do livro “Mulheres que Correm com os Lobos”. Este é um livro de histórias de mulheres onde é revelada a força poderosa no interior de cada uma.
Este capítulo, em específico fala-nos de lágrimas não choradas e de histórias pessoais de mulheres que guardam segredos associados à vergonha.
Muitas mulheres guardam segredos uma vida inteira, segredos relacionados com a liberdade feminina, com a transgressão de regras de conduta sociais, morais, religião, etc, afastando-a da sua natureza instintiva.
A mulher que vive segundo a sua natureza instintiva é uma mulher mais livre e alegre comparativamente com a mulher que carrega consigo um universo de histórias secretas que giram em torno de situações de vergonha.  


Em última análise esta mulher vive com receio de ser considerada indesejável, privada de direitos, ser alvo de violência ou sofrer corte de relações.
Muitas de nós acabamos por colocar estes “pequenos segredos” para debaixo do tapete, fingindo que não estão lá e que poderão dissolver-se no tempo…mas, não acontece…a fatura surge um dia e pode manifestar-se sobe a forma de uma doença física, mental ou outra coisa.

No decorrer da sua prática clínica de cerca de 20 anos, a Dr.ª Clarissa Estés conheceu muitas “histórias secretas” e algumas delas relacionadas com temas como:

·         Traição
·         Amor proibido
·         Amor não correspondido
·         Desejos
·         Anseios reprováveis,
·         Gravidezes não planeadas
·         Interesses sexuais e estilos de vida pouco recomendáveis
·         Ciúmes
·         Rejeição
·         Promessas quebradas
·         Maus-tratos
·         Negligência
·         Abusos sexuais
·         ….
·         Entre outros

Ao manter estes segredos só para si, a mulher perde a ligação consigo mesma e perde a oportunidade de transformar a tragédia num drama heroico. A mulher que escolhe confessar o(s) seu(s) segredo(s), por outro lado, adquire a oportunidade de aprender, de compreender o papel que teve nesta “tragédia” e tomar consciência das qualidades que a ajudaram a resistir.
Naturalmente que este processo de aprendizagem vem sempre acompanhado de dor e sensatez….tocar na ferida, tocar na cicatriz, dói…dói muito mas, uma vez superado o processo, o espirito selvagem vence e a mulher poderá ser livre das próprias amarras que criou dentro de si.
Guardares segredos poderá afastar-te de quem te poderá oferecer amor, segurança, proteção. Não tens de carregar o fardo da dor e do medo sozinha.
Segundo a mesma autora “Onde há um segredo relacionado com a vergonha, há sempre uma zona morta na psique da mulher (p.443)”.

E tu? Que segredos manténs contigo? Valerá a pena partilha-lhos e trazeres mais leveza à vida?


 Estés, C. (2016). Mulheres que Correm com os Lobos - 2ª ed. Barcarena: Marcador editora

Em Amor…
Alma, Corpo e Mente…

Teresa Peral